Guerreiro,
o navegador dos mares
Simbologia: "A partir deste capítulo sempre que aparecer (...) ou (...!!!)... são indicativos de que os pensamentos das personagens vão além do que está escrito... e também indicarão que o texto foi retirado de poesias de ReginaCélia."
O dia amanhece com o tempo fechado. Lá fora, o sol nascera morno por detrás de uma nuvem de neblina. Os campos mais parecem um lençol extenso, muito alvo, coberto de uma geada fina. Clarissa levanta-se mais cedo para regar as suas flores, antes que o sol venha e queime as pétalas das rosas, resseque a grama, e se assim não o fizer todas as manhãs, o seu trabalho ficará perdido.
Como sempre, detém-se a maior parte da manhã no jardim, regando as plantas e falando consigo mesma, lembrando o passado, a juventude, e suspirando de saudades dos filhos, dos netos, com saudades da vida.
Clarissa gosta da sua chacarazinha, do seu jardim, do seu pomar, dos seus animais, mas... mas... e a vida que ficou lá fora.. lá longe, onde estão os filhos, onde estão todos? Por que afinal viera se esconder, nesta chácara? Por quê? Nem ela mesma sabe. Talvez porque não quisesse ser um estorvo na casa dos filhos... ou talvez para não se sentir assim diretamente rejeitada, nem inútil. Pelo menos aqui, tem algo seu para cuidar. Mas estava só.
As horas transcorrem calmas. Um friozinho danado que obriga Clarissa a se recolher dentro de casa... tentar fazer um tricô, assistir televisão e até tirar uma soneca. É impossível ficar lá fora. Um vento gelado queima-lhe as faces e lhe tornam arroxeadas as mãos.
Por volta de 17 horas, toma um banho quente e através da vidraça vê a tarde chegar de mansinho, o sol se pondo e deixando um tom avermelhado no horizonte. – "Ah!!! vamos ter geada!" Pensa Clarissa.. assim lhe dizia sua mãe, quando ela era mocinha: "Corra menina, apanhe gravetos, vamos precisar manter aceso o fogo do fogão, pois a noite vai ser fria, vai cair gelo.. veja o céu... avermelhado!"... Uma faixa avermelhada bem no poente, com matizes de azul escuro... cinza.. verde, amarelo.. sinal de geada.. geada daquelas.
E sendo assim, e com estas lembranças, Clarissa vai até aos fundos da casa buscar algumas lascas de madeira e um saco de carvão para colocar na lareira, prevenindo-se assim do frio que à noite vai chegar.
Já noite e como de costume, adentra a sala "encontrodeamigos+amigos" para o papo costumeiro, mas o pessoal não comparece. – "Uai.. uai.. será o frio?... este povo é mole mesmo." Pensa assim Clarissa. – "Bom.. já que ninguém quer conversar vou dar um giro por esta internet... conhecer outras salas... outro pessoal." E assim Clarissa vai vendo páginas, lendo poesias, ouvindo música, deixando o tempo passar. É cedo para dormir e o calorzinho da lareira está bom e a cama deve estar gelada. Encontra outra sala de bate papo a "vemquetem"; – "bom... vamos ver o que é que tem... ou não tem!...", pensa Clarissa e adentra. Esta sala, ao contrário da outra está cheia, mas em sua maioria, também são mulheres. Clarissa tenta iniciar uma conversa clicando em algumas pessoas, mas todas se fazem de surdas, ou melhor dizendo, de cegas, sem lhe dar a menor atenção. Fica ali então assistindo, e percebe que existe uma diferença muito grande entre a sala "encontrodeamigos+amigos" com esta "vemquetem".
Na sala "encontrodeamigos+amigos" as pessoas primam pela educação e respeito à sensibilidade uns dos outros, e nesta "vemquetem" as pessoas parecem que desconhecem os princípios de respeito humano e de recato. Clarissa então fica na observação. – "Vamos ver o quê é que tem e para quem tem (risos)!" Isto posto, já que ninguém se digna a atender os seus chamados: – "Alguém quer teclar?"... – "Alguém quer teclar?"... lógico... todos teclavam... todos não, alguns entravam e saiam sem dar a mínima satisfação, ou pelo menos, tentar conversar.
Mas esta noite reserva uma cilada para Clarissa; de repente ela vê adentrar a sala alguém com o apelido de "navegador", e este parece que será mais um daqueles que entrará, observará e... sairá sem falar com ninguém. Entra e se mantém em silêncio. Clarissa observa e resolve tomar a iniciativa:
– O navegador quer teclar? Ao que ele responde:
– Oh! sim. Quero sim, de onde você tecla?
– De muito longe amigo (...) do outro lado do mundo (...) onde os dias nascem repletos de luz e morrem no silêncio das tardes que caem! E você, de onde tecla?
– Eu?? Também de longe (...) vivo no mundo dos sonhos (...) da fantasia (...) de seu paraíso até onde estou existem quilômetros e quilômetros de distância a percorrer.
FIM DO TERCEIRO CAPÍTULO - PARTE 2
autora: Regina Célia de Souza
Direitos Autorais Reservados
Bem vindo à Clarissa
Acesse Clarissa NA LATERAL DO BLOG que estão na ordem correta, do capítulo I para o último.
Clarissa é a estória de uma mulher de mais de 50 que se afasta de seus familiares para viver uma vida solitária no campo, entre flores, animais e a natureza.
Clarissa é a estória de uma mulher de mais de 50 que se afasta de seus familiares para viver uma vida solitária no campo, entre flores, animais e a natureza.
Clarissa era para ser um poema em texto sem rimas, sem métricas, por isto a imagem da poetisa.
Espero que você, leitor, goste, critique, e passe aqui também a sua emoção.
Quando eu fiz este blog com o meu livreto "Clarissa" não tinha experiência em blogs e não sabia que ele acabava sempre mostrando a ultima postagem e fiz ele normalmente. Depois tomei consciência de que ninguém pode ler um romance do ultimo capítulo para o primeiro, portanto, oriento voces a LER CLARISSA seguindo o menu lateral que foi colocado na sequência crescente.
Grata pela compreensão
ReginaCelia
ReginaCelia
terça-feira, 8 de março de 2011
Clarissa - Guerreiro - Navegador - capítulo IV
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