Bem vindo à Clarissa

Acesse Clarissa NA LATERAL DO BLOG que estão na ordem correta, do capítulo I para o último.

Clarissa é a estória de uma mulher de mais de 50 que se afasta de seus familiares para viver uma vida solitária no campo, entre flores, animais e a natureza.

Clarissa era para ser um poema em texto sem rimas, sem métricas, por isto a imagem da poetisa.

Espero que você, leitor, goste, critique, e passe aqui também a sua emoção.

Quando eu fiz este blog com o meu livreto "Clarissa" não tinha experiência em blogs e não sabia que ele acabava sempre mostrando a ultima postagem e fiz ele normalmente. Depois tomei consciência de que ninguém pode ler um romance do ultimo capítulo para o primeiro, portanto, oriento voces a LER CLARISSA seguindo o menu lateral que foi colocado na sequência crescente.

Grata pela compreensão

ReginaCelia
ReginaCelia

terça-feira, 8 de março de 2011

Clarissa - Guerreiro - Capítulo VI

Guerreiro quem é?

Enquanto Clarissa em seu recanto passa as horas confabulando consigo mesma a respeito de tudo que vem lhe acontecendo, como este renascer de sentimentos e desejos próprio da juventude, Guerreiro do outro lado em seu mundo particular, também, passa o dia pensando e buscando respostas aos seus próprios questionamentos sobre a vida.

Guerreiro tem 62 anos, divorciado e casado pela segunda vez, com um jovem de 25 anos. Hoje, está aposentado. Trabalhou a maior parte de sua vida profissional ativa, numa multinacional, onde começou como Auxiliar de Escritório e chegou ao mais alto cargo Executivo da empresa como Diretor Financeiro.

Atualmente, reside num amplo e antigo apartamento, cobertura, localizado na Rua Frei Caneca em São Paulo, a duas quadras da Av. Paulista.

Sua esposa, Marisa, jovem e atraente, é secretária bilíngüe, no consulado americano. Jovem, atraente, voluntariosa, decidida, dominadora, caprichosa, vaidosa, conquistou há 5 anos atrás o coração de Guerreiro, exatamente, por ser este homem vulnerável à beleza física, que pesa em suas preferências por mulheres, mais que quaisquer outras qualidades que estas possam ter. Para Guerreiro, tudo precisa ter beleza e valor comercial. O seu carro tem que ser o mais bonito, o mais interessante, o mais desejado; a sua casa tem que ser finamente decorada, sofás forrados em seda, pratarias e porcelanas legítimas para servir jantares aos amigos.

Também, a mulher, precisa ser bonita, de fina educação, ter presença social e provocar inveja em seus amigos. E assim, diante desta personalidade de Guerreiro, foi apenas uma questão de poucos olhares, para que Marisa conquistasse sua preferência, provocando uma paixão incontrolável e alguns meses após, já estavam vivendo juntos. E mais algum tempo, casados oficialmente.

Desta união nasceram os gêmeos Antonio e Maria, completando e solidificando a união.

Passados 3 anos da feliz união, Guerreiro se aposenta por tempo de serviço e problemas de saúde. Se não fossem os problemas de saúde, talvez, tivesse continuado por mais tempo na ativa, pois nada melhor para manter o espírito jovem que o trabalho que a gente gosta.

Marisa havia se afastado do emprego para se dedicar aos gêmeos, entretanto, com a aposentadoria de Guerreiro, ela resolve retornar ao seu cargo no consulado, pois as atividades domésticas a irrita, e conviver 24 horas com Guerreiro passou a provocar os atritos normais do excesso de intimidade e convivência. Mas não foi apenas por tais motivos que Marisa retornou ao trabalho; esta opção já tinha sido convencionada acontecer tão que logo as crianças não precisassem tanto de seus cuidados maternais.

E assim feito, os gêmeos foram entregues à avó materna, passando o dia todo com ela e retornando para casa somente ao anoitecer.

Marisa passa o dia no trabalho e suas noites, agora, são tomadas por reuniões com amigos, colegas de trabalho. Ela se sente bem com eles, têm sua idade, falam dos mesmos assuntos que lhe interessa e assim sobra muito pouco tempo para o lar, filhos e principalmente Guerreiro.

Para Guerreiro, então, restou apenas uma visão, do alto de seu apartamento, da poluição que cobre a cidade de São Paulo e os sons roucos dos carros, ônibus e motos que circulam noite e dia pela Av. Paulista.

A vida se tornou vazia. As crianças vindo pra casa somente à noite e sendo levadas pela avó logo de manhã. Marisa cada vez mais envolvida com seu crescimento profissional e necessidade de convívio com gente da sua idade.

Guerreiro com sua personalidade batalhadora, como o próprio nome diz, não se deixou dominar pela solidão e ociosidade, e decidiu então investir os recursos financeiros de que dispunha numa chácara na Granja Viana, onde implantou um criadouro de rãs e um pesqueiro.

A chácara teria várias utilidades. Seria além de um local onde desenvolveria atividades que pareciam ser lucrativas, como criação de rãs e aluguel do lago para os apaixonados por pescaria. Escolheu bem o local, amplo, sem muito declive, entretanto, recebendo água limpa e fresca de uma fonte, que desce de uma pequena serra que faz divisa com a propriedade.

Outra utilidade seria, receber os amigos, parentes, filhos, netos, num ambiente, construído sob medida para atender suas próprias aspirações.

Para tanto, Guerreiro mandou construir uma ampla casa, porém, simples e confortável, em piso frio no andar inferior, facilitando a limpeza e assoalho de madeira de lei no andar superior, para tornar o ambiente mais aconchegante no inverno.

No amplo terreno, além dos tanques de criação de rãs, o lago para o pesqueiro, construiu também uma ampla piscina, espalhando em volta grama verde, flores e lógico algumas espreguiçadeiras para se deitar ao sol. A alguns metros da piscina, pode-se ver um playground, destinado ao divertimento e exercício de seus filhos pequenos e quem sabe os netos que viessem visitá-lo.

Neste empreendimento, Guerreiro investiu toda a indenização que recebeu da empresa por seus 30 anos de trabalho e mais algumas economias que tinha em ações. Acreditava que seria vantajoso e lucrativo. Entretanto, o mercado de rãs entrou em crise e ele se viu muitas vezes obrigado a vender sua produção por um preço que não pagavam os custos. O pesqueiro, por ser pequeno, era mais um lazer, que uma atividade lucrativa.

Marisa envolvida com seu trabalho, vida social e outras atividades próprias de mulher cheia de juventude e vaidade, veio nos últimos 2 anos, apenas duas vezes à chácara, para receber amigos e familiares durante as festividades natalinas.

Os filhos gêmeos muito agarrados com a avó e ainda pequenos, poucas vezes vieram usufruir do playground.

Os filhos do primeiro casamento, altos executivos, muito ocupados com suas próprias vidas e por outro lado, magoados por este 2o. casamento do pai, nunca vieram e tampouco mandaram os netos para visitar o avô Guerreiro.

Mas afinal, valeu o investimento. Naquele recanto, ele Guerreiro, se esconde durante a semana, para refletir, espairecer, descansar e até sonhar.

Reflete sobre o passado de uma vida de sucessivas vitórias profissionais, da convivência com amigos, colegas e clientes; lembra dos filhos pequenos, das viagens de férias, de todo o reboliço dos preparativos, e da alegria das crianças quando se viam na estrada a caminho de praias, hotéis-fazenda ou outros locais próprios para divertimentos infantis.

Em suas reflexões, lembra ainda, dos seus pequenos ou grandes pecados de homem, os quais um dia levou a término um casamento que parecia sólido.

Guerreiro sempre gostou de mulheres exuberantes, atrevidas, voluntariosas e a sua primeira esposa não poderia deixar de ter este perfil. Entretanto, a vida de casada, afazeres domésticos, filhos para educar e um marido que pouco se fazia presente, quer com assistência afetiva, quer com sexo, foram amainando o gênio atrevido e aquela mulher se tornou apenas, uma mulher, mãe e esposa resignada.

Esta apatia da primeira esposa levou a um desinteresse de Guerreiro, que passou a buscar novas emoções junto a mulheres mais jovens, em aventuras passageiras e sem conseqüências até cair um dia na\uma armadilha de nome "Marisa".

Guerreiro viveu intensamente. Executivo de sucesso, homem conquistador, uma boa reserva financeira para a velhice. Tudo certo, pensava ele: "estou tranqüilo para o meu final de vida". Mas, agora, na maioridade, dos seus 62 anos, a vida virou uma rotina de dias que acabam em noites sempre iguais. O filme de sua vida, que ele vê em sua mente, parece que ficou parado num presente de poucas emoções e para ele, Guerreiro, que sempre gostou de emoções fortes, planejadas ou não planejadas, a realidade deste presente parado, torna-se quase insuportável.



FIM DA PRIMEIRA PARTE DO CAPÍTULO SEXTO - Campo Limpo Paulista - ano 2001

autora: Regina Célia de Souza

Direitos Autorais Reservados

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